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SOBRE

Belo Horizonte, 1989

Papoula Rubra (Paula R. S. Santos) atuou com o nome artístico Paula Peregrina até 2021. Viveu a infância e adolescência em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mudou-se para a capital mineira por volta dos 18 anos em busca de independência, iniciando uma jornada de mudanças menores e significativas entre repúblicas, bairros, cidades e estados. Interrompeu a contagem ao somar 40 mudanças e perceber que o nomadismo continuaria, mesmo contra o seu cansaço, pois sabe que ainda não encontrou o seu lugar.


Na transição da adolescência para a vida adulta, inapta a ingressar no curso de letras da UFMG na primeira tentativa, castigou-se pelo resultado ultrajante nas provas de língua portuguesa e literatura, decidindo-se na última hora por qualquer curso que prometesse estabilidade. Não suportou um semestre sequer na faculdade de direito da PUC-MG, mudando-se estrategicamente para o prédio ao lado, levando sua bolsa de 100% do ProUni, a motivação despertada por um livro de Jung sobre sonhos e seu interesse no que conheceu sobre psiquiatria com base nas matérias da revista Galileu, supondo que a psicologia seria algo parecido, embora não soubesse nada sobre o campo. Nunca estudou Jung no curso.


Formou-se em 2012 e trabalhou nas áreas de educação profissionalizante, políticas públicas e terceiro setor, alcançando alguma estabilidade próxima da esperada para uma pessoa adulta. Entre 2014 e 2015, lança os dados entre a estabilidade de seguir na carreira e fazer mestrado em ciências sociais ou o risco em voltar para a graduação na busca por um horizonte profissional com o qual tivesse maior afinidade. Os dados empatam e ela aposta na mudança, a graduação em letras.


Durante o curso, é seduzida pela arte e tudo o que desconhecia dela enquanto aluna extensionista no Centro Cultural UFMG. Durante alguns meses se manteve no emprego como psicóloga social, na atividade de extensão e frequentando o curso noturno. Então, uma reviravolta provoca sua inabilidade para ser sensata. Ao mesmo tempo lida com atrasos salariais devido à crise no estado, a saída repentina do roommate a deixando com contas a mais e outros aborrecimentos que a levam a questionar suas escolhas. Conclui que a estabilidade prometida pelo status da profissão que exercia não existia.


Arrisca mais. Pede demissão do emprego para mergulhar nas atividades criativas, sem reservas financeiras, volta à condição de estudante desempregada no trânsito quartos, primeiro na casa dos pais, depois em repúblicas. Percebe que o curso de letras não atende ao seu interesse pelo aprofundamento nas experiências criativas com a linguagem, iniciando uma itinerância entre os cursos de artes da UFMG, UEMG e culmina na transferência para graduação em Artes Visuais na UFRJ, em 2018.


No mesmo ano, é selecionada pela Galeria Curto Circuito para realizar o que seria a sua primeira obra, a instalação Um Teto Todo Seu. Apesar do apreço pelo curso, não o conclui por dificuldades em sobreviver no Rio de Janeiro, buscando um recomeço no mestrado em artes visuais na mesma universidade diante da possibilidade de bolsa. Conclui o mestrado em 2021, ingressando no doutorado em Artes da UFMG no mesmo ano. Em meio ao caos das mudanças e da busca por um lugar próprio, publicou o romance Terras Secas (Pandorga, 2017) a partir da aprovação no Edital Descentra Cultura 2015 da FMC-BH, além de poesias e contos em revistas e antologias e participou de algumas exposições artísticas com performances, vídeos e intervenções digitais.


Continua fazendo arte e literatura sem lugar.

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